O cenário do venture capital (VC, capital de risco) passou por mudanças profundas nos últimos anos, com a redução nos investimentos de VC devido à forte incerteza econômica iniciada com a pandemia de covid-19 em 2020.
A pandemia alterou as condições econômicas globais e deixou marcas permanentes no setor. A inflação persistente prejudicou o consumo e levou o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, a aumentar a taxa de juros 11 vezes entre março de 2022 e julho de 2023. O receio de uma recessão atingiu o auge e as ofertas públicas iniciais (IPOs) ficaram estagnadas nesse período, gerando o pior mercado de IPOs desde a crise financeira de 2008, segundo a EY (artigo em inglês). Esses anos de incerteza constante fizeram com que alguns fundos de VC ficassem mais cautelosos com os investimentos.
No entanto, sinais de otimismo começaram a surgir no segundo semestre de 2024. Isso, somado ao forte entusiasmo com a inovação em inteligência artificial (IA), deu origem a novas tendências no setor, que devem continuar em 2026. Confira cinco tendências do mercado de capital de risco para o e-commerce em 2025.
Tendências do capital de risco para 2026
- Mais dinheiro, menos negócios
- Surgimento de novos gestores de VC e fontes adicionais de financiamento
- A ascensão da IA (e seu possível auge)
- Maior foco na eficiência de capital
- Crescimento da economia criativa e das vendas pelas redes sociais
1. Mais dinheiro, menos negócios
Após um período de maior contenção no setor de capital de risco, Michael Duda, cofundador e sócio-diretor da empresa de capital de risco Bullish, afirma ter notado uma mudança em direção a um sentimento mais otimista no final de 2024. "Existe o otimismo de que haverá mais atividade de IPO (artigo em inglês) e aquisições, e é justamente esse movimento de saída que motiva os investidores de capital de risco a participarem do mercado."
O valor total do investimento global em capital de risco subiu para US$ 368,5 bilhões em 2024, uma alta de 5,4% em relação a 2023, segundo o Pitchbook-NVCA (artigo em inglês). Mas o número de negócios caiu 17% no mesmo período, o que mostra que menos empresas se beneficiaram desse aumento na atividade de capital de risco.
"É a divisão entre os que têm e os que não têm", diz Michael. "A concentração de capital de VC está mudando no geral, com um grande volume focado nos maiores fundos: os cinco principais captaram uma quantidade desproporcional de recursos, enquanto alguns fundos menores estão saindo de cena."
Isso pode ter um impacto no futuro, já que fundos maiores costumam esperar mais tempo e investir em startups em estágio avançado — aceitando retornos menores em troca do histórico comprovado de empresas já estabelecidas. Mesmo assim, Michael observa que isso não significa que as empresas em estágio inicial estejam sem opções. Há mais dinheiro circulando no mercado, o que acaba criando mais oportunidades para todos os tipos de empreendedores.
2. Surgimento de novos fundos de VC e fontes privadas de financiamento
Enquanto isso, uma nova geração de fundos de VC está surgindo — com investidores deixando grandes empresas para criar os próprios fundos. Michael afirma que essa tendência começou por volta de 2020 e tem se intensificado ultimamente. "Haverá muitos fundos novos por aí procurando deixar a própria marca. Isso pode ser uma boa oportunidade para empresas menores."
Startups também podem encontrar novas oportunidades fora dos investidores institucionais e VCs, já que o interesse e investimento de private equity estão em alta. Opções variadas proporcionam mais fontes potenciais de financiamento para empreendedores, o que Michael considera "muito encorajador".
Existe uma quantidade impressionante de clientes ricos de bancos e family offices procurando investir em empresas que estão realmente no estágio inicial. Esse não é um conceito totalmente novo, mas parece mais popular agora. As pessoas estão dispostas a fazer aportes de US$ 75.000,00, e então você quase precisa recrutar o VC — enquanto no passado o normal era conseguir o VC primeiro para que ele acionasse as próprias redes de contatos.
3. A ascensão da IA (e seu possível auge)
A inteligência artificial continua sendo um fator determinante para a captação recente de capital de risco. No quarto trimestre de 2024, os negócios impulsionados por IA cresceram cinco vezes ao longo do ano — e representaram mais de 60% de toda a captação de VC naquele período, segundo a EY (artigo em inglês).
"Talvez estejamos no auge do investimento em IA neste momento", diz Michael. "São quantidades gigantescas de dinheiro, a ponto de algumas pessoas estarem preocupadas com uma possível bolha da internet. Mas a IA é um foco imenso agora e continuará sendo em um futuro próximo. Nunca vi algo avançar tão rápido em toda a minha carreira."
Empresas de e-commerce não precisam ser startups de IA generativa para garantir investimentos, mas você deve saber como aproveitar a automação e o aprendizado de máquina para otimizar as operações.
"Você precisa estar preparado para discutir como a IA contribui para o seu sucesso", diz Michael. "Se você está começando um serviço de passeio com cães, não espero ouvir 'IA' a cada duas palavras, mas, nesse caso, a abordagem deve ser: 'Aqui está como estamos usando a IA para ajudar a coordenar os passeadores e definir os calendários.' Você não precisa ser uma empresa de IA, mas também não pode ignorá-la."
4. Maior foco na eficiência de capital
Os investidores de capital de risco costumam focar em métricas diferentes em cada período. Na década de 2010, por exemplo, muitos buscavam empresas com potencial de crescimento rápido e escalabilidade. Em 2022 e 2023, o foco era a lucratividade, afirma Michael. Já em 2025, muitos investidores procuram pela eficiência de capital, uma medida de quão bem a empresa gera receita em relação ao quanto você gasta para alcançar esse crescimento, explica ele.
"Mostre-me que você sabe como fazer o dinheiro trabalhar", diz ele. "Você está fazendo isso de forma pensada e estratégica quando as coisas vão bem? E consegue manobrar e se ajustar quando as coisas não saem conforme o planejado?"
Michael afirma que existem alguns fatores por trás dessa mudança. A longo prazo, o foco na eficiência de capital é "um dos antídotos contínuos" para o período de 2021 e 2022 (artigo em inglês), quando muito dinheiro foi direcionado para empresas apoiadas por VC de crescimento rápido que tinham avaliações altas, mas careciam de modelos de negócio escaláveis.
A política é outro fator importante que as startups precisam enfrentar. A incerteza sobre mudanças na política comercial — como tarifas — e os impactos nas cadeias de suprimentos criam desafios inesperados que reforçam a importância da eficiência de capital. "Isso não estava no radar de ninguém quando captaram recursos, certo?", diz Michael. "Mas aconteceu, e imprevistos sempre ocorrerão. Empresas bem-sucedidas precisam ser capazes de sobreviver a isso repetidas vezes."
5. Crescimento da economia criativa e das vendas pelas redes sociais
Com a Geração Z prestes a se tornar o público principal de novas startups, os investidores de capital de risco querem ver que você sabe como vender para essa geração. Esses consumidores mais jovens cresceram no ambiente digital e buscam prova social — especialmente por meio de recomendações de fontes como criadores de conteúdo, que conquistaram a confiança deles ao longo do tempo. De fato, 54% dos usuários de redes sociais entre 18 e 29 anos afirmam que influenciadores impactam muito ou um pouco as decisões de compra, de acordo com a Pew Research (artigo em inglês).
Você precisa mostrar aos investidores de VC que sabe como atrair esses valiosos consumidores jovens. É possível aproveitar a ascensão das vendas pelas redes sociais ao realizar parcerias com criadores de conteúdo e influenciadores relevantes no seu segmento em campanhas que pareçam autênticas para todos os envolvidos. O diferencial aparece quando um criador utiliza a própria personalidade, a conexão com o público e a capacidade de contar histórias para construir confiança e incentivar a ação.
Independentemente das tendências que surgem e desaparecem, a capacidade de encontrar e se conectar com o público é um elemento essencial e permanente. Investidores sempre darão preferência a uma estratégia de marketing clara, que encontre os clientes onde eles estiverem e que permaneça fiel à marca — em 2025 e nos anos seguintes.
Perguntas frequentes sobre tendências do capital de risco
Quais são as tendências do capital de risco para 2025?
Confira algumas tendências na atividade de capital de risco em 2025:
- O investimento total está em alta, mas o número de negócios caiu.
- Alguns investidores de grandes empresas de capital de risco estão saindo para criar os próprios fundos.
- Indivíduos e outras entidades de private equity buscam investir em startups.
- Negócios de inteligência artificial representam 60% de toda a captação de capital de risco.
- Os investidores buscam empresas que comprovem eficiência de capital.
- Startups de sucesso utilizam influenciadores e criadores de conteúdo para alcançar clientes.
Qual é o futuro do capital de risco?
A concentração de capital de risco está mudando, com grandes fundos captando uma quantidade desproporcional de recursos e alguns fundos menores encerrando as atividades. Alguns ex-sócios de grandes empresas de capital de risco estão saindo para abrir os próprios fundos, e o private equity está ocupando parte do espaço de investimento inicial que costumava ser preenchido pelos VCs.
O financiamento de VC está desacelerando?
Não. O valor total dos investimentos globais de capital de risco subiu para US$ 368,5 bilhões em 2024, uma alta de 5,4% em relação a 2023, segundo o Pitchbook-NVCA (artigo em inglês). No entanto, o volume de negócios no mercado de capital de risco caiu 17% no mesmo período, o que mostra que menos empresas se beneficiaram desse capital extra.


