A tipografia da sua marca faz muito mais do que embelezar. Ela atua nos bastidores para influenciar a percepção que os clientes têm do seu negócio antes mesmo de eles lerem uma única palavra. Uma marca de cosméticos pode escolher fontes modernas para transmitir jovialidade. Uma joalheria de luxo pode optar por fontes mais formais para evocar atemporalidade.
A tipografia ideal pode ajudar a atrair a atenção dos consumidores, fortalecer o reconhecimento da marca e expressar sua identidade. Conheça os fundamentos da tipografia de marca, os termos mais comuns, como escolher a tipografia ideal e outros elementos envolvidos na criação de diretrizes de marca. Você também verá dicas de Ky Allport e Margaret Pilarski, as mentes criativas da agência de branding Outline.
O que é tipografia de marca?
A tipografia de marca é um componente da identidade visual de uma empresa e abrange diversos elementos de estilização de texto. Além da escolha da fonte, a tipografia inclui disposição, tamanho, peso e posicionamento do texto. Os parâmetros tipográficos geralmente fazem parte do guia de estilo da marca, que estabelece diretrizes específicas sobre como usar e aplicar as fontes em diferentes plataformas.
A Outline considera a tipografia um dos principais elementos de branding que desenvolve para os clientes. “Normalmente, o processo de branding começa com o entendimento da marca e do fundador. Às vezes, há um moodboard para orientar a direção. Depois, montamos um conceito que inclui logos, cores, visuais e tipografia (todos os ativos essenciais) para mostrar como a marca pode se expressar no mundo”, explica Ky. Todas essas escolhas de estilo funcionam juntas para criar uma identidade coesa.
Por que a tipografia de marca é importante?
A tipografia é um componente essencial do guia de estilo de uma marca. Diretrizes tipográficas bem definidas garantem a legibilidade e consistência. Ao seguir as orientações tipográficas do seu manual de marca, você consegue transmitir a essência da empresa com clareza, para que os clientes entendam o que ela representa. “Além de identificar quais são os elementos, o papel das diretrizes de marca é mostrar como usá-los. Você pode ter um conjunto de cores e fontes, e fazer coisas completamente diferentes com eles”, explica Ky. O uso consistente do texto e dos demais elementos da marca ajuda a criar uma identidade visual reconhecível.
Quais são os quatro principais tipos de fontes?
Existem opções de fontes praticamente infinitas, com diferentes graus de ornamentação e tipos de conexão (ou ausência delas) entre os caracteres. É possível organizá-las em quatro grandes categorias.
1. Fontes serifadas
As fontes serifadas apresentam pequenos traços delicados, chamados de serifas, nas extremidades das letras. Um “I” maiúsculo serifado, por exemplo, possui traços horizontais no topo e na base. Esse estilo tem um apelo clássico e tradicional. É amplamente utilizado em materiais impressos, como livros e jornais, e em textos longos, justamente por facilitar a leitura.
2. Fontes sem serifa
As fontes sem serifa são simples e minimalistas. As letras utilizam traços uniformes e espessos, sem ornamentos. Esse tipo de fonte é muito comum em web design e em interfaces digitais. A Apple, por exemplo, usa a fonte sem serifa “San Francisco” nos dispositivos, já que fontes serifadas podem parecer carregadas e difíceis de ler em telas pequenas ou de baixa resolução.
3. Fontes cursivas
As fontes cursivas são inspiradas na escrita manual tradicional e na caligrafia. Essas tipografias utilizam variações de espessura nos traços e floreios dramáticos. As letras costumam aparecer inclinadas e fluem entre si. O estilo transmite formalidade e sofisticação, sendo popular em design de logotipos e títulos de destaque. Blocos de texto mais longos nesse estilo podem comprometer a legibilidade.
4. Fontes manuscritas
As fontes manuscritas imitam a escrita à mão contemporânea e informal. Geralmente apresentam variação na espessura dos traços e linhas assimétricas, mas sem os detalhes elaborados das fontes cursivas. Dependendo da execução, podem transmitir uma sensação acolhedora e descontraída, ou rústica e artesanal.
O que é hierarquia tipográfica?
Usar duas ou três tipografias diferentes nos seus materiais ajuda a organizar as informações e adicionar interesse visual. Quando uma marca adota várias fontes, as diretrizes de hierarquia tipográfica definem como cada uma deve ser utilizada.
A hierarquia tipográfica geralmente é composta por uma fonte primária e uma secundária. As fontes primárias são reservadas para logotipos e títulos. As melhores fontes para logotipos têm um apelo visual e caráter expressivo (a função principal é agregar personalidade e comunicar a identidade da marca). As fontes secundárias priorizam a legibilidade, sendo indicadas para textos corridos e blocos de conteúdo mais longos, sempre em harmonia com a fonte principal.
Algumas empresas também incluem uma terceira fonte, chamada de “fonte de destaque”. O ideal é usá-la com moderação, apenas para enfatizar algum elemento específico.
Como escolher as fontes certas para a sua marca
O Google Fonts oferece mais de 1,8 mil famílias de fontes gratuitas. Se você pretende escolher três tipografias para a sua marca, só com essas opções já existem mais de um bilhão de combinações únicas possíveis. Em vez de analisar todas individualmente, experimente as dicas a seguir para encontrar as fontes ideais para o design da sua marca.
Defina a personalidade da sua marca
Compreender a personalidade da sua marca é o ponto de partida para escolher a tipografia adequada. Comece identificando os traços essenciais do seu negócio. Você é uma empresa premium, enraizada em uma tradição consolidada? Ou uma marca irreverente, focada em romper com os padrões do setor? Saber qual história de marca você quer contar orientará a escolha da sua fonte principal.
Kat Kavner e Jaime Tulley, fundadoras da marca de alimentos Heyday Canning Co., trabalharam com Ky e Margaret na Outline para encontrar uma fonte que transmitisse nostalgia e modernidade ao mesmo tempo. Comunicar a história da marca ajudou a agência a entender as necessidades visuais do projeto. “Tínhamos uma base sólida sobre quem somos, o que defendemos e o que queríamos transmitir. Isso nos permitiu levar tudo isso para o nosso parceiro de design e orientá-lo na criação da nossa identidade de marca, do logotipo, das cores, das fontes e, por fim, das embalagens”, relembra Ky.
Pesquise tipografias
Busque exemplos de tipografias que você admira. Folhear revistas antigas ou usar plataformas visuais como o Pinterest pode ser uma boa fonte de inspiração. Analise os concorrentes e as marcas que você admira para entender como utilizam a tipografia. Identifique o que você aprecia na abordagem delas e pense em como a sua marca pode se diferenciar.
Teste as fontes
Depois de selecionar algumas fontes favoritas, experimente diferentes combinações. Criar mockups ajuda a visualizar como as tipografias ficam tanto em telas digitais quanto em materiais impressos. Revise os designs em um computador e em dispositivos móveis. Verifique a legibilidade e certifique-se de que a fonte secundária não compete visualmente com a tipografia principal.
Licencie as fontes
Verifique os requisitos de licenciamento das tipografias que você escolheu. Muitas fontes consideradas gratuitas, como as do Google Fonts, exigem uma licença para uso comercial. As fontes precisam de uma licença separada para cada aplicação. Por exemplo, se a sua empresa quiser usar a “Montserrat Thin” como fonte de marca no aplicativo e no site, será necessário adquirir duas licenças para ambos os usos. Vale lembrar que as licenças se aplicam a uma fonte específica, e não à família tipográfica inteira. Se você também quiser usar “Montserrat Bold” e “Montserrat Extra Bold”, precisará adquirir licenças adicionais para cada uma das variações.
Os valores das licenças variam conforme o fornecedor, o tipo de licença e o número de estilos adquiridos. Restringir a marca a uma única família tipográfica pode reduzir os custos de licenciamento. As licenças para uso na web costumam ser calculadas com base no volume de tráfego: quanto mais visitantes o site recebe, maior o custo.
O caso das fontes personalizadas
As tipografias personalizadas são exclusivas da sua empresa. Criar uma fonte sob medida envolve contratar um designer para desenvolver um conjunto de caracteres que reflita a identidade da marca. Fontes personalizadas têm direitos exclusivos: ninguém mais poderá usar a sua tipografia. Seu negócio pode ter um estilo imediatamente reconhecível e se destacar no mercado.
Encomendar uma fonte personalizada pode ser caro. As estimativas variam de US$ 10 mil a bem mais de US$ 100 mil. O preço depende das tarifas do parceiro de design, da complexidade da fonte e do escopo do projeto. Criar apenas algumas letras para um logotipo personalizado é significativamente mais barato do que encomendar um alfabeto completo com pontuação. Por outro lado, fontes personalizadas não exigem taxas de licenciamento. Quando o design é adquirido, ele é seu para você usar indefinidamente.
A Heyday Canning Co. trabalhou com a Outline para criar uma fonte proprietária para a marca. A tipografia sem serifa e em negrito utiliza a variação na espessura dos traços para criar um apelo singular. A Outline desenvolveu duas variações (uma mais larga e outra mais condensada) para adicionar versatilidade. “A ideia por trás da fonte era que ela tivesse essa variação de largura: poderia ficar um pouco mais larga, um pouco mais condensada, e então você pode posicioná-la de um jeito bem lúdico”, explica Ky.
Para o seu site na Shopify, você pode utilizar uma variedade de fontes disponíveis na Biblioteca de Fontes da Shopify.
Perguntas frequentes sobre tipografia de marca
Como criar a tipografia de uma marca?
Criar a tipografia de uma marca envolve avaliar a personalidade da empresa, selecionar uma fonte principal, adicionar fontes complementares e estabelecer um conjunto de diretrizes para orientar o uso de todas elas. As diretrizes tipográficas definem quais tipografias usar em cada aplicação e como estilizar as fontes.
Quais são exemplos de tipografia?
Logotipos de marcas, cartazes de filmes e capas de álbuns são exemplos clássicos de design tipográfico. Esses materiais visuais tomam decisões tipográficas e utilizam a estilização cuidadosa do texto para criar uma identidade visual marcante e comunicar uma personalidade.
Quanto custa criar uma fonte personalizada?
O custo de criação de uma fonte personalizada varia bastante, dependendo da complexidade do design e das exigências do projeto. As estimativas indicam que o valor pode chegar até US$ 100 mil.

