Quer esteja a começar uma empresa do zero ou a tentar dinamizar o seu negócio, às vezes, não há escapatória e um microcrédito pode ser a força motriz para o crescimento.
Um microcrédito pode financiar encomendas, contratações ou ajudar a aumentar a capacidade de fabrico da empresa, por exemplo, para fazer obras à estrutura e aumentar a capacidade de fabrico.
Mas lembre-se de que, impulsionar um negócio com um crédito é mais arriscado e há menos margem para erros, pois está a ampliar possíveis retornos ou perdas.
Em Portugal, o microcrédito é normalmente associado a financiamentos de pequeno montante, com limites que podem variar consoante o programa e a entidade financiadora.
O que é o microcrédito e para que serve?
Resumidamente, podemos dizer que é a ferramenta que lhe permite dar vida às suas ideias. O microcrédito é um apoio financeiro reduzido e como o próprio nome indica, é “micro”.
Mas qual o motivo do seu surgimento? Simples, há pessoas que, não conseguem dar garantias reais às entidades bancárias, logo estão excluídas do sistema bancário mais tradicional.
É aqui que entram em ação entidades como a Associação Nacional de Direito ao Crédito, cujo propósito é divulgar e implementar a solução do microcrédito, para a criação ou dinamização do próprio emprego, ou negócio.
Quem pode ter direito ao microcrédito?
Naturalmente que, cada caso é um caso, mas para efeitos de simplificação, eis os principais requisitos que deve ter cumulativamente:
- Estar em situação de desemprego (ou num trabalho instável).
- Não ter cadastro bancário, falamos de dívidas ou prestações em atraso registadas no Banco de Portugal.
- Não tem acesso a crédito pelas vias normais, pois não tem garantias para dar.
- Quer criar o seu próprio emprego.
- Capacidade de adaptação para responder às condições e exigências do mercado.
Opções de microcrédito e financiamento para abrir uma empresa
Se está a abrir uma empresa, em Portugal, há vários programas de incentivo ao empreendedorismo com recurso ao microcrédito que lhe podem ser extremamente úteis, abaixo encontra-se uma divisão por temas:
- Criação de empresas e autoemprego
- Inovação e startups (tecnológicas e digitais)
- Empreendedorismo social e cultural
Criação de empresas e autoemprego
PAECPE (Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego)
Se está numa situação de desemprego prolongado ou quiçá quer transformar o infortúnio numa oportunidade de crescimento, saiba que, pode solicitar o pagamento total do subsídio de desemprego a que teria direito de uma só vez, ou solicitar um microcrédito.
Para ter acesso a este valor ou linha de crédito tem de conseguir criar o seu próprio emprego (a tempo inteiro) e pode até iniciar atividade como empresário em nome individual.
Não obstante, tem de apresentar um plano de negócios sólido que justifique o financiamento. O que é bom, pois quanto maior for o seu domínio na área, menos riscos corre.
Neste caso, está a fazer uso do Programa Nacional de Microcrédito para iniciar ou ampliar um negócio que está inserido no Programa de Apoio ao Empreendedorismo e Criação do Próprio Emprego (PAECPE) que é desenvolvido em parceria com a CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.
Consulte a página do IEFP para ver como pode solicitar este apoio.
Linha de Apoio ao Empreendedorismo e Criação do Próprio Emprego
Tem como objetivo facilitar aos desempregados, jovens à procura do primeiro emprego e trabalhadores independentes (com baixos rendimentos), a criação da sua própria empresa ou trabalho por meio de empréstimos bancários com bonificações.
Há duas linhas de crédito:
- MICROINVEST: em que o valor de financiamento máximo vai até aos 20 000,00 €, por operação.
- INVEST +: com um valor máximo de financiamento que vai até 100 000,00 €, por operação.
Para aceder a qualquer um dos créditos acima tem de contactar uma instituição de crédito aderente e apresentar a candidatura à linha. Em seguida, os pedidos de financiamento são analisados pela instituição de crédito, com base na política de risco de crédito em vigor.
Sugerimos que leia em maior detalhe as opções de financiamento na página dedicada ao empreendedor do Banco Português de Fomento.
Inovação e Startups (Tecnológicas e Digitais)
StartUP Voucher
Este tipo de apoio é direcionado a um público mais jovem e tem algumas limitações, dado que é um apoio que tem como propósito impulsionar o desenvolvimento em todo o país:
- É apenas para jovens até aos 29 anos (com licenciatura ou grau superior, que não estejam empregados, em formação ou que tenham outras fontes de rendimento).
- Domicílio fiscal no Norte, Centro ou Alentejo.
- Os projetos devem estar em fase inicial (de ideia).
O financiamento é atribuído de forma estruturada, há bolsas mensais, prémios intercalares e de concretização. Consulte mais detalhes na página do IAPMEI.
Portugal 2030
O Portugal 2030 é um pacote financeiro atribuído a Portugal no valor de 23 mil milhões de euros que se destina a estimular a economia portuguesa através do empreendedorismo, é resultado do Acordo de Parceria entre Portugal e a Comissão Europeia.
Estes incentivos são geridos, a nível local, pelo IAPMEI.
Empreendedorismo social e cultural
Iniciativas locais
Tratam-se de apoios financeiros e logísticos geridos pelas Comunidades Intermunicipais (CIMs) e Câmaras Municipais. Muitas vezes disponibilizam espaços de coworking e incubadoras de empresas gratuitas. O melhor é pesquisar bem o que há próximo de si.
E se estiver numa zona que precisa do empreendedorismo para se desenvolver, como é o caso do Alentejo, talvez esta seja uma oportunidade de ouro para si, dado que a região tem o programa Alentejo 2030, por exemplo.
Como fazer um bom uso do microcrédito?
Há que usar o microcrédito com estratégia, especialmente para ajudar a empresa a gerar receita e a ganhar estabilidade. É importante definir o objetivo com clareza, no que toca ao financiamento, só assim consegue justificar o investimento e evitar desperdiçar capital.
Tenha um plano de negócios claro
É fundamental ter um plano de negócios sólido (e não só porque lho exigem para a atribuição de crédito). Um bom plano ajuda a definir objetivos, prever custos e a demonstrar a viabilidade. É também uma forma de convencer a entidade financiadora de que existe capacidade para transformar o crédito em crescimento real.
Separe as finanças
Nunca misture o seu dinheiro pessoal com o do negócio. Ao separar as contas, os movimentos e as despesas, consegue controlar melhor a tesouraria e perceber se o microcrédito está mesmo a ser aplicado na empresa.
Invista no que lhe dá retorno
O melhor é canalizar o microcrédito para as áreas de maior impacto no negócio (que lhe tragam resultados mais diretos), como stock, equipamento, marketing ou ferramentas de trabalho. Evite usar o valor em despesas pouco produtivas ou que não contribuam para aumentar as vendas ou eficiência.
Planeie o reembolso
É aqui que se aplica verdadeiramente a expressão "não dar passos maiores que as pernas". Antes de aceitar o crédito, confirme se a empresa tem como pagar as prestações sem comprometer o seu bom funcionamento e sustentabilidade diária. Um bom plano de reembolso ajuda a evitar atrasos e reduz o risco de pressão financeira no futuro.
Evite gastar mal o dinheiro
Mesmo que o financiamento se enquadre num montante mais pequeno, o microcrédito deve ser tratado com disciplina. Gastar mal o valor recebido pode agravar o risco do negócio em vez de o reduzir, sobretudo se o retorno não for rápido.
Alternativas ao microcrédito
Caso o microcrédito não seja a solução mais adequada, pode sempre explorar outros tipos de apoio como os que já mencionamos neste artigo. Até receber a totalidade do fundo de desemprego (se for uma soma avultada) pode funcionar como a rampa de lançamento perfeita para o seu negócio.
Experimente começar por solicitar aconselhamento no Centro de Emprego, IAPMEI, ou câmara municipal, faça uma autoavaliação e comece no ponto que faz mais sentido para si. A escolha certa depende sempre da fase do negócio e da sua capacidade de pagamento.
Perguntas frequentes sobre microcrédito para abrir uma empresa
O que é o microcrédito para abrir uma empresa?
Trata-se de um apoio financeiro, um valor de menor dimensão, pensado para ajudar na criação ou dinamização de pequenos negócios, é muito usado para criar o próprio emprego. Em Portugal, está associado a programas de apoio ao empreendedorismo e há um forte investimento do Estado e de fundos da União Europeia como o Portugal 2030.
Quem pode pedir um microcrédito para abrir uma empresa em Portugal?
Quem queira criar o próprio emprego, abrir uma microempresa ou lançar um projeto com viabilidade económica. Alguns programas dão prioridade a desempregados, jovens empreendedores e trabalhadores independentes com baixos rendimentos. Tem de se informar para saber quais os requisitos, o melhor será questionar entidades como o IEFPP, o IAPMEI e até a sua câmara municipal, mais precisamente os departamentos ligados ao empreendedorismo.
Qual o financiamento máximo que posso obter através do microcrédito?
O valor depende do programa e da entidade financiadora. Em alguns casos, o financiamento pode chegar aos 20 000 euros por operação, mas há linhas de apoio com montantes diferentes. No caso do plano MICROINVEST o valor máximo é 20 000,00 €, já o plano INVEST + não pode exceder os 100 000,00 €.
É preciso ter garantias para conseguir um microcrédito?
Nem sempre. Uma das vantagens do microcrédito é que facilita o acesso ao financiamento para quem não consegue apresentar garantias reais. Ainda assim, cada candidatura é analisada caso a caso.
Preciso de apresentar um plano de negócios?
Sim. Um plano de negócios é normalmente essencial (e exigido), porque ajuda a demonstrar que o projeto é viável e que o financiamento pode ser aplicado de forma responsável. É também um elemento importante na avaliação de risco.
Posso usar o microcrédito para qualquer tipo de despesa?
Não. O ideal é aplicar o valor em despesas que contribuam para o crescimento do negócio, como stock, equipamento, marketing ou reforço da atividade laboral. Usá-lo em gastos pouco produtivos pode comprometer a sustentabilidade da empresa.
Quais são as alternativas ao microcrédito?
Há inúmeras alternativas ao microcrédito, entre as quais:
- Começar um trabalho paralelo para obter financiamento.
- Optar pelo crowdfunding.
- Começar um negócio que não exija investimento.
- Tentar obter um rendimento passivo.
*Este artigo é meramente informativo, como tal, deve consultar um especialista para obter aconselhamento adaptado à sua situação.

