Chega frequentemente um momento em que depender exclusivamente de um marketplace de terceiros para gerir um negócio começa a criar obstáculos. A Etsy oferece uma forma rápida de começar a vender e de alcançar compradores no local onde já estão a navegar. Mas mais tarde ou mais cedo, a pergunta surge: vale a pena vender na Etsy?
Como saber quando é altura de avançar? Quatro fundadores concluíram que, para crescer, precisavam de assumir maior controlo sobre a forma como chegavam aos clientes. E, felizmente, a decisão não teve de ser um "tudo ou nada": muitos conseguiram complementar o negócio existente na Etsy com uma loja online personalizada criada com a Shopify.
1. Old World Kitchen
A Old World Kitchen, uma empresa familiar, escolheu inicialmente a Etsy como o marketplace preferido. Antes da Etsy, o e-commerce parecia um território intimidante à família. Trata-se de uma verdadeira empresa de artesãos e o gestor de negócio, Loran Polder, tinha conhecimentos limitados de marketing online.
"Há uma enorme quantidade de distração na Etsy. É mais como passear por uma feira de artesanato." — Loran Polder, Business Manager da Old World Kitchen
A família não tinha experiência com SEO, o que tornava a aquisição orgânica de clientes uma batalha árdua. Polder atribui à Etsy, com o seu marketplace de compradores já à procura dos produtos que a marca vendia, o mérito de ter tornado o negócio possível.
Nas suas palavras: "Há uma enorme quantidade de distração na Etsy. É mais como passear por uma feira de artesanato e ir de banca em banca, em vez de nos dirigirmos intencionalmente a uma loja física."
Chegou, no entanto, o momento de a Old World Kitchen escalar. A progressão para fora da Etsy foi natural. A pequena empresa construiu perfis online noutras plataformas, principalmente no Instagram, o que ajudou a definir a marca e ampliou o alcance. O mercado-alvo mudou à medida que o foco se centrou em utensílios de cozinha de gama premium.
Depois, a Old World Kitchen mudou-se para uma loja online criada com a Shopify. Hoje detém controlo total sobre o que vende, a quem vende e como o faz. "Ficámos absolutamente impressionados, porque a nossa taxa de conversão subiu imenso", afirmou Loran pouco depois da transição. "Percebemos que estávamos a fazer alguma coisa certa."
2. HaldeCraft
"A Etsy não foi a primeira vez que vendi online, mas foi a primeira vez em que tudo era meu e só meu", conta Lorena Haldeman, proprietária da HaldeCraft. "Vendia fio que eu própria tingia à mão e sabonete que fabricava, mas o meu foco principal era a cerâmica, que sempre fizera como passatempo."
À medida que o negócio crescia, cresciam também os desafios. Lorena adicionava regularmente novos artigos à sua loja Etsy, mas o marketplace obrigava-a a escolher uma única categoria para cada produto. O resultado? "Quanto mais produtos adicionava, mais difícil se tornava criar categorias na Etsy que ajudassem as pessoas a encontrar o que procuravam", explica.
"Os clientes não deviam ter de percorrer páginas para encontrar algo específico, e uma loja bem concebida deve ser muito intuitiva." — Lorena Haldeman, proprietária da HaldeCraft
Lorena transferiu a HaldeCraft para uma loja Shopify própria. Aí passou a ter controlo total sobre a exibição dos produtos e, mais importante, sobre as categorias que criava. "Deve ser muito fácil encontrar exatamente aquilo que se procura", acrescenta. Para Lorena, as boas experiências de cliente também podem ser transportadas, independentemente da plataforma.
"Há muitas formas em que a Etsy torna as coisas pessoais e que se podem levar para o crescimento na Shopify", diz. "Se escrevia à mão 'Obrigada, espero que goste!' nas guias de remessa enquanto estava na Etsy, continue a fazê-lo com a Shopify."
3. Brooklyn Candle Studio
A Brooklyn Candle Studio vende velas de soja ecológicas. A Etsy foi a primeira casa online do negócio, depois de a fundadora, Tamara Main, ter aberto uma loja Etsy com um pensamento pragmático: "Será que consigo vender estas velas online onde ninguém as pode cheirar?"
"Seis meses depois de abrir a loja Etsy, recebi uma encomenda enorme, de cerca de 3700 euros em velas. Pensei: 'Isto é mais do que o meu salário mensal! Consigo perfeitamente fazer isto, porque produzo estas velas em quatro dias.'" — Tamara Main, proprietária e fundadora da Brooklyn Candle Studio
Para surpresa de Tamara, as suas velas tornaram-se populares no marketplace. A Etsy destacou os produtos da Brooklyn Candle Studio em alguns dos seus e-mails, e cadeias de retalho começaram a pedir para ter os artigos em loja física. Tamara lembra-se do ponto de viragem: "Seis meses depois de abrir a loja Etsy, recebi uma encomenda enorme, de cerca de 3700 euros em velas. Pensei: 'Isto é mais do que o meu salário mensal.'"
Pouco depois, Tamara decidiu que a Brooklyn Candle Studio precisava de crescer para além dos limites da Etsy e abriu uma loja Shopify para operar em paralelo com as listagens no marketplace. A nova loja online tornou-se o veículo do crescimento, sobretudo porque garantia maior controlo sobre os clientes e sobre a forma de os contactar.
"O que me levou à Shopify foi a possibilidade de importar centenas de códigos de desconto sem os ter de introduzir um a um", explica Tamara. "Havia uma aplicação para isso, chamada Bulk Discounts, o que foi enorme. Bastava carregar uma folha de cálculo Excel."
4. Popov Leather
A Popov Leather é uma fabricante de artigos em pele feitos por medida, sediada em Nelson, na Colúmbia Britânica. Teve começos modestos na Etsy, dependendo do mercado online como único motor de receita durante os primeiros 18 meses. Funcionou: o fundador, Ryan Popoff, aprendeu a jogar com o algoritmo.
"Na Etsy, é preciso destacar-se da multidão", diz Ryan. "Muito cedo, andávamos a observar como as outras pessoas se apresentavam e usavam imagens, e reparámos que quase todos usavam fundo branco, à semelhança da Amazon, seja qual for o padrão. E pensei: 'Como é que me destaco disto?'"
"Talvez, se levasse isto mais a sério e começasse mesmo a aprender coisas como SEO, fotografia de produto adequada, descrição de produto, tudo isso, e lançasse um site próprio, como o meu próprio site na Shopify, talvez conseguisse fazer crescer isto." — Ryan Popoff, fundador da Popov Leather
Ryan continua: "Coloquei um fundo na fotografia dos nossos produtos e senti que isso aumentou a nossa presença nas listagens de pesquisa, porque as pessoas viam todas aquelas imagens padronizadas e depois a nossa saltava à vista. E clicavam."
Dezoito meses depois, a marca abriu uma loja Shopify personalizada. Ryan recorda a decisão: começou a estudar SEO, fotografia de produto e copywriting com o objetivo de lançar um site próprio na Shopify, capaz de sustentar um crescimento que a Etsy sozinha não permitia.
Quando devem os vendedores da Etsy criar uma loja online própria?
Vender na Etsy tem vantagens reais. Os vendedores podem aproveitar os milhões de potenciais clientes que já utilizam o mercado online para procurar produtos como os seus.
Mas chega um ponto em que a pergunta se impõe: vale a pena continuar a vender apenas na Etsy? Nem sempre é o veículo mais adequado para vender produtos online. Frequentemente, faz mais sentido procurar uma alternativa à Etsy para complementar a loja existente, ou mesmo para a substituir por completo. Observemos porque:
Obter controlo total
Uma vez que a Etsy é um mercado oonline, no fundo o vendedor está a operar no site da plataforma, o que implica jogar pelas suas regras. Esta lógica limita naturalmente a forma como se constrói e apresenta a marca. "A grande desvantagem de vender na Etsy é que o lugar do condutor pertence a outra pessoa. Não tenho tanto controlo sobre o apoio ao cliente, o marketing e o design da loja como tenho no meu site próprio", refere Dawn LaFontaine, fundadora da Cat in the Box.
Além disso, tal como qualquer canal de vendas pertencente a terceiros, vender exclusivamente na Etsy expõe o negócio a mudanças de políticas e de algoritmo, muitas vezes sem aviso prévio.
Migrar a montra da Etsy para uma plataforma própria, como uma loja Shopify, devolve controlo total sobre o site, a marca e o negócio online. A aparência da loja, as promoções lançadas aos clientes e a forma como os produtos são apresentados passam a estar inteiramente sob o comando do proprietário.
Levar a marca a novos canais de vendas
A Etsy é apenas um mercado online ou canal de vendas para chegar aos clientes, mas existem muitos outros. Ter uma "sede" central para o negócio, através de uma loja online, torna muito mais fácil vender em múltiplos canais e alcançar novos públicos.
Imagine-se um pequeno negócio que vende cartões de oferta feitos à mão. A Etsy pode parecer a plataforma perfeita para estes produtos, certo? Há, no entanto, uma desvantagem: sabe-se que há potenciais clientes que frequentam a feira de artesanato mensal do bairro. Focar apenas na Etsy significa perder esses compradores locais.
Ainda que se monte uma banca na feira, aceitar apenas dinheiro em mão ou pedir aos clientes que memorizem o URL da loja Etsy para visitar mais tarde não é uma solução eficaz. Pedir que se lembrem da morada da loja é uma batalha perdida à partida.
Uma plataforma de comércio como a Shopify permite captar esses compradores onde quer que estejam, sempre que houver oportunidade de venda. As pessoas podem visitar a loja online e comprar em qualquer altura. Os sistemas de ponto de venda (POS) permitem aceitar pagamentos com cartão no local, na feira. De qualquer forma, o negócio fica permanentemente aberto.
Revender, vender por grosso, curar, fabricar
Uma loja online própria permite fazer crescer a marca para além dos limites da Etsy. Montra própria significa decisões próprias.
Pode-se, por exemplo, incorporar outras marcas selecionadas, para preservar o espírito de comunidade de pequenos negócios característico da Etsy. Adicionar preços de venda por grosso permite alcançar um novo tipo de cliente, com valores de negócio superiores e uma rede de distribuição capaz de colocar os produtos à frente de novas audiências. Ou avançar para uma instalação de fabrico própria, quando o objetivo é escalar a produção com maior ambição.
Em qualquer dos cenários, uma loja online nunca condiciona as decisões de desenvolvimento do negócio: cresce-se quando se quer e como se quer.
A base de clientes da Etsy pode não corresponder ao produto
Como já foi mencionado, a Etsy não é a plataforma ideal para todos os pequenos negócios.
Considere-se o exemplo da Artemis Design Co. A fundadora, Milicent Armstrong, verificou que os seus pontos de preço não funcionavam bem no marketplace da Etsy. Embora os produtos justificassem o valor pedido, os clientes habituais da plataforma não estavam habituados a gastar tanto num único artigo, o que afetou as taxas de conversão do negócio e, consequentemente, a sua posição nos resultados de pesquisa da própria Etsy.
Crescer através de canais de marketing mais avançados
E-mail marketing, SEO, retargeting, redes sociais, todos estes canais são difíceis de aplicar dentro da Etsy. E, no entanto, todos são vias comprovadamente rentáveis para adquirir clientes em escala.
Há ainda outro problema: os clientes encaminhados para a Etsy não passam a pertencer ao vendedor. O objetivo da plataforma é vender qualquer produto, não apenas os que estão listados por um vendedor em particular. Sob cada listagem aparecem também produtos recomendados de outros vendedores, o que constitui uma oportunidade para desviar esses compradores e direcioná-los para concorrentes diretos.
Como migrar os produtos do Etsy
Para expandir para além da Etsy, seja porque se está a ultrapassar rapidamente os limites do marketplace, seja pela vontade de ter mais controlo sobre os produtos vendidos online, não é preciso começar do zero e recriar todas as páginas de produto numa nova plataforma. É possível importar a loja Etsy existente para a Shopify.
💡 Nota: as instruções seguintes usam o Easy Import, mas há várias outras aplicações de importação e integração da Etsy na Shopify App Store.
- No painel da loja Etsy, em "Shop Settings", clicar em "Options".
- Selecionar o separador "Download Data".
- Clicar em "Download CSV".
- Depois de fazer o registo na Shopify, instalar a aplicação Easy Import - Etsy Migration a partir da Shopify App Store.
- Na Shopify, encontrar o Easy Import em "Aplicações".
- Carregar o ficheiro CSV e seguir as instruções para importar os produtos. Durante este passo, é possível atribuí-los a coleções.
- Pré-visualizar os produtos antes de finalizar a importação. O processo importa títulos, descrições, variantes e preços.
- Aceder à secção "Produto" na Shopify para editar manualmente outras informações e adicionar fotografias.
A melhor parte? Abrir uma loja Shopify dá acesso automático à Shop Pay: um método de pagamento em que os clientes podem guardar as suas informações e finalizar a compra sem esforço em poucos cliques.
A loja passa também a aparecer no feed da aplicação Shop, incentivando quem já comprou a regressar e a comprar novamente. Todos ganham.
A Etsy é uma rampa de lançamento para pequenos negócios
Não há dúvida de que a Etsy é um excelente ponto de partida para quem quer ganhar dinheiro a vender artigos feitos à mão. Mas aquilo que parece uma oportunidade apelativa para chegar a compradores que já utilizam o mercado online tem custos e limitações que importa avaliar.
Vender na Etsy vem com restrições concretas. Os fundadores andam constantemente a tentar decifrar o algoritmo para chegar aos clientes. Há pouca ou nenhuma personalização possível para a montra. E a estrutura de comissões da plataforma retira uma fatia de cada produto vendido. Em contrapartida, é claro, ganha-se acesso a uma base de compradores já a navegar dentro da Etsy.
Abrir uma loja online própria remove estas barreiras e devolve propriedade total sobre o negócio. É possível migrar por completo ou continuar a vender simultaneamente na Etsy e na Shopify. De qualquer forma, com uma loja Shopify, o controlo sobre o que se vende e como se vende passa a ser inteiramente do vendedor.
Portanto, embora a Etsy seja uma rampa de lançamento acessível para artesãos iniciarem a atividade, provavelmente é preciso muito mais para descolar de vez. Uma vez estabelecida a marca, quando se percebe que se quer crescer nos próprios termos, deixa de valer a pena vender exclusivamente na Etsy.
Perguntas frequentes sobre vale a pena vender na Etsy?
Quais são as desvantagens de permanecer na Etsy?
A Etsy é a marca com que os clientes interagem, o que dificulta a diferenciação face à concorrência, muitas vezes reduzida ao preço. A relação com o cliente pertence à plataforma. Quem procure uma relação contínua com os compradores, através de newsletter, chatbot ou outros formatos, encontra limitações na Etsy.
Além disso, só é possível vender artigos vintage ou feitos à mão, e as regras e regulamentos aplicam-se a todos os vendedores, sem margem para necessidades ou opções personalizadas que possam fazer crescer o negócio.
Como saber que é altura de criar uma loja própria?
Depende do nível de maturidade em que o negócio se encontra. Algumas perguntas úteis: existe gosto por marketing e pela construção de marca?
- Interessa ser proprietário da relação com o cliente e comunicar diretamente com ele?
- Existe já uma estratégia omnicanal, vendas por Instagram, feiras de artesanato, encomendas a retalho e por grosso?
- Existe disponibilidade para fazer crescer o negócio para além de uma atividade paralela?
Responder sim à maioria destas questões costuma indicar que é altura de abrir uma montra própria na Shopify.
Como migrar da Etsy? É preciso começar do zero?
Não é necessário começar do zero e recriar as páginas de produto numa nova plataforma. É possível importar a loja Etsy existente para a Shopify. Depois de fazer o registo na Shopify, basta instalar a aplicação Easy Import - Etsy Migration a partir da Shopify App Store.

