Não é preciso criar produtos do zero para ter um negócio de e-commerce. Existem vários modelos de negócio em que o desenvolvimento de produtos, a produção e o envio ficam a cargo de terceiros, enquanto os lucros ficam para quem gere a operação. Um desses modelos é o de revenda.
O mercado de revenda deverá atingir 40 mil milhões de euros até 2029, com as vendas de roupa em segunda mão a crescer a uma taxa anual de 10%. Embora o vestuário domine o mercado de revenda nos Estados Unidos, os consumidores mais conscientes em termos de sustentabilidade procuram cada vez mais acessórios, mobiliário e eletrodomésticos em segunda mão, e esta tendência estende-se à Europa.
Transformar-se num revendedor é uma excelente forma de lançar um pequeno negócio e começar a vender online rapidamente. Continue a ler para saber como iniciar um negócio de revenda e confira dicas e ideias para gerir com sucesso uma loja online de revenda.
O que é um revendedor?
Um revendedor é quem compra produtos a fabricantes, liquidatários, consumidores individuais ou outros retalhistas e, depois, os vende aos seus próprios clientes.
Um alvará de revenda, também chamado de licença de revenda ou certificado de isenção fiscal, permite comprar certos itens sem pagar IVA, incluindo itens para vender a grosso, itens para vender a retalho e ingredientes ou componentes para fabricar e vender produtos.
Comprar diretamente a um fabricante ou fornecedor implica, muitas vezes, quantidades mínimas obrigatórias. A revenda, por outro lado, pode ser mais flexível: é possível adquirir peças individuais para vender, sem necessidade de comprar grandes quantidades de stock.
Muitos revendedores também acrescentam valor à experiência de compra, oferecendo experiências mais personalizadas. A Resurrection, por exemplo, é uma loja de roupa vintage que organiza as peças por década, material e país de origem. Um revendedor pode vender produtos individualmente (com uma margem de lucro) e oferecer uma experiência de marca que envolva desde descrições detalhadas e avaliações de produtos até programas de fidelização e apoio ao cliente.
Ter um negócio de revenda traz diversas vantagens e pode ser bastante rentável, sobretudo quando existe especialização num mercado de nicho. É possível lançar uma loja de e-commerce mais rapidamente quando não é preciso desenvolver produtos próprios nem criar uma audiência do zero. A revenda é também indicada para quem tem aptidão para marketing: com estratégias eficazes, é mais provável que o negócio prospere.
Além disso, a revenda é perfeita para quem detém conhecimento específico de um sector ou de um determinado grupo de consumidores. Alguém que conheça em profundidade o universo da roupa vintage, por exemplo, pode construir um negócio de revenda focado em t-shirts clássicas de concertos.
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Vantagens da revenda |
Desvantagens da revenda |
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Revenda vs. dropshipping
Embora a revenda e o dropshipping partilhem algumas semelhanças, funcionam como modelos de negócio fundamentalmente diferentes. A revenda implica a compra de produtos (novos ou usados) para os vender novamente, sendo que o revendedor gere fisicamente o inventário, quer se trate de stock excedente de retalhistas, quer de peças vintage encontradas em feiras de velharias.
O dropshipping elimina por completo a gestão de inventário: vendem-se produtos que os fornecedores enviam diretamente aos clientes. Com o dropshipping, é possível usar soluções como o Shopify Collective para vender produtos de outras marcas Shopify, ou ligar aplicações de fornecedores de dropshipping para aceder a fornecedores em todo o mundo.
Aqui tem como se comparam os dois modelos:
Desenvolvimento de produto e fabricação
Tanto na revenda como no dropshipping, não é necessário desenvolver nem fabricar produtos. Em ambos os casos, vendem-se produtos existentes de fornecedores.
Quantidades de encomenda
Os revendedores podem deparar-se com quantidades mínimas de encomenda ao comprar a um fabricante. No entanto, é possível contornar esta situação adquirindo peças individuais em lojas de segunda mão. O dropshipping, por norma, não exige quantidades mínimas de encomenda.
Inventário
A gestão de inventário pode ser complexa na revenda, uma vez que os artigos podem demorar a vender e as lojas de revenda precisam de renovar o stock regularmente para manter a atratividade. Quem faz dropshipping não detém qualquer inventário.
Envio
Os revendedores têm várias opções de envio: podem trabalhar com operadores logísticos externos ou tratar do envio por conta própria. No dropshipping, quem vende nunca toca nos produtos: os fornecedores tratam de todo o processo de envio assim que o cliente faz uma encomenda.
Como tornar-se revendedor
- Encontrar um nicho
- Registar o negócio
- Obter um alvará de revenda
- Elaborar um plano de negócio
- Criar o site
- Escolher o método de cumprimento
1. Encontrar um nicho
Definir o nicho ajuda a tomar decisões sobre outras áreas do negócio, incluindo a forma como se adquirem produtos e a faixa de preços praticada.
Interesses e conhecimento
Ter interesse ou familiaridade com um nicho específico pode ser uma grande vantagem. Quem conhece bem equipamento fotográfico, por exemplo, pode oferecer recomendações personalizadas aos clientes.
Convém elaborar uma lista de interesses e áreas de conhecimento, procurando manter várias opções em aberto.
Pesquisa de mercado
É fundamental pesquisar as ideias para perceber se existe procura. Consultar relatórios de mercado permite conhecer a procura, as oportunidades e as taxas de crescimento estimadas.
Usar o Google Trends ajuda a avaliar o interesse ao longo do tempo e a perceber se se trata de um produto sazonal. Analisar a concorrência também pode revelar lacunas no mercado.
Validar o nicho
Depois de se definir uma ideia, é fundamental validá-la. Entrevistar potenciais clientes ou criar uma conta nas redes sociais dentro do nicho são formas eficazes de testar se é possível construir uma audiência.
2. Registar o negócio
O primeiro passo é determinar a estrutura jurídica do negócio. Pesquisar os prós e contras de cada tipo de estrutura empresarial é essencial, sendo aconselhável consultar um advogado para encontrar a opção mais adequada.
É necessário obter uma licença onde a empresa estiver sediada ou constituída. Caso a atividade se estenda a outros locais fora da região de registo, poderá ser necessário um alvará de qualificação adicional. Depois de confirmar os requisitos, convém preparar todos os documentos para registar e submeter a candidatura ao alvará de revenda.
3. Obter um alvará de revenda
Em muitas regiões, um alvará de revenda permite evitar o pagamento de IVA em produtos destinados a revenda. No entanto, certas jurisdições podem não aceitar licenças emitidas noutro local. Verificar a legislação local antes de efetuar compras noutro país ou região é imprescindível, tanto para vendas presenciais como online.
É aconselhável solicitar um alvará de revenda em cada localidade onde se compram e vendem bens. Poderão existir taxas associadas ao processo. As leis relativas ao IVA variam conforme a região, e cada local aplica as suas próprias taxas. Para esclarecer os requisitos específicos, convém consultar as autoridades fiscais da respetiva jurisdição.
4. Elaborar um plano de negócio
O plano de negócio serve de guia para a gestão da empresa e deve incluir os seguintes elementos:
- Descrição da empresa. Descrever o modelo de negócio, a visão global, os objetivos, a estrutura, a missão e a proposta de valor.
- Pesquisa de mercado. Apresentar informações sobre os pontos fortes, as oportunidades, a dimensão e a concorrência do mercado escolhido.
- Produtos e serviços. Descrever a oferta, incluindo a forma como se vão definir os preços dos produtos.
- Plano financeiro. Incluir possíveis fontes de financiamento, receitas previstas e despesas operacionais esperadas.
5. Criar o site
Um site bem planeado proporciona uma experiência positiva ao cliente. Uma das formas mais simples de criar um site para um negócio de revenda é utilizar um construtor sem código, como a Shopify. Ao criar o site, convém considerar os seguintes aspetos:
A velocidade de carregamento é fundamental: o site deve abrir rapidamente em todos os dispositivos. A navegação precisa de ser intuitiva, com menus fáceis de utilizar. A acessibilidade é igualmente importante: a loja deve cumprir os padrões de acessibilidade mais recentes. O mapeamento de percurso garante que clicar num link ou botão leva o utilizador ao sítio certo.
O design responsivo assegura que o site funciona bem em todos os dispositivos, incluindo telemóvel e tablet. Finalmente, o copywriting deve transmitir a informação de forma eficaz e representar bem a marca.
6. Escolher o método de cumprimento
Separar, embalar e enviar encomendas online é fundamental para gerir um negócio de sucesso. É possível optar por tratar do cumprimento internamente: plataformas de e-commerce como a Shopify dispõem de ferramentas integradas que simplificam o envio e permitem acompanhar encomendas, gerir devoluções e trocas.
Outra opção é recorrer a um serviço externo de cumprimento, o que elimina a necessidade de armazenar, embalar e enviar os próprios produtos. Normalmente, as encomendas são enviadas diretamente para o parceiro de cumprimento, que trata de todo o processo.
Como encontrar fornecedores para o seu negócio de revenda
Para identificar possíveis fornecedores, o primeiro passo é definir quais os tipos de produtos que se pretende vender e o perfil de cliente a que se destinam.
Algumas empresas de revenda trabalham com grandes fabricantes e fornecedores; outras, como uma loja de artigos antigos ou de colecionáveis, compram maioritariamente a indivíduos. Para procurar fornecedores, é possível pesquisar em diretórios online, fazer buscas no Google, pedir referências à rede de contactos ou integrar aplicações de pesquisa de produtos na loja online.
Se se pretende combinar a revenda com o dropshipping, o Shopify Collective permite vender produtos de outras marcas Shopify sem manter inventário. Através de uma aplicação de sourcing, é possível aceder a produtos de várias categorias (eletrónica, brinquedos, cosmética, entre outros) e testar a procura do mercado antes de se comprometer com a compra de stock.
Existe também a possibilidade de criar um negócio de revenda em parceria com plataformas de dropshipping reconhecidas como Worldwide Brands, SaleHoo, Doba e AliExpress. Para uma análise detalhada dos melhores sites de dropshipping, consulte o guia dedicado.
Quatro ideias para negócio de revenda
Como não é necessário investir em desenvolvimento de produto nem em fabricação, a revenda abre muitas portas para novos negócios. Esta característica torna-a particularmente atrativa para quem procura um negócio caseiro ou uma atividade paralela que, futuramente, pode evoluir para uma ocupação a tempo inteiro.
Quem procura mais inspiração pode explorar esta lista de oportunidades de negócio validadas.
1. Negócio de sapatilhas
O segmento de calçado oferece oportunidades em múltiplos nichos, desde sapatilhas desportivas até calçado de luxo ou modelos de edição limitada. As pessoas precisam sempre de sapatos, e é possível lançar novidades conforme a estação do ano. Há, portanto, muito potencial para revender sapatilhas com boa margem de lucro.
A loja da Shopify Packer Shoes, sediada em Nova Jérsia, começou como um pequeno estabelecimento de bairro. O negócio tem crescido desde 1907, em parte graças à abordagem omnicanal, que hoje inclui a venda de sapatilhas de marcas reconhecidas (como a Adidas) e também criações próprias.

2. Boutique vintage
Para quem pondera lançar uma boutique online de revenda, o mercado vintage é particularmente interessante. Só nos EUA, existem mais de 20000 lojas de artigos em segunda mão que, juntas, geram uma receita anual de 15 mil milhões de euros. Na Europa, esta tendência tem vindo a crescer de forma acelerada, impulsionada pela consciência ambiental e pelo gosto por peças únicas.
Na hora de selecionar artigos vintage, é possível seguir a definição tradicional (artigos com mais de 20 anos e menos de 100) ou inspirar-se em tendências antigas que voltaram a estar em voga. A COAL N TERRY, por exemplo, apresenta uma coleção de roupa "vintage" que reflete tendências atuais, mais do que a definição clássica de antiguidade.
É possível revender vestuário, mobiliário ou qualquer outra pechincha encontrada em feiras de velharias, saldos de garagem e lojas de doações. O segredo está em perceber o que as pessoas procuram e quanto estão dispostas a pagar. As peças da Corningware vintage, por exemplo, têm bastante procura num nicho específico de colecionadores.
3. Loja de consignação
Se o modelo online de venda de artigos usados é apelativo, considerar abrir uma loja de consignação é um próximo passo lógico. As lojas de consignação vendem artigos de luxo ou de alta qualidade em segunda mão, nem sempre antigos ou vintage: muitos são recentes.
A Love that Bag etc, por exemplo, é um comerciante da Shopify que gere uma loja de consignação online dedicada à venda de malas de designer de alta qualidade em segunda mão. No TikTok, a empresa partilha o seu processo de autenticação dos artigos. Quem planeia revender artigos de luxo deve pensar antecipadamente em como autenticar as peças, já que a confiança é um fator decisivo neste segmento.

4. Caixa de subscrição
O modelo de caixa de subscrição ganhou notoriedade com marcas como ButcherBox e Birchbox, e continua a ser uma opção flexível para quem procura uma fonte de receita recorrente. A ideia consiste em reunir uma seleção de produtos relacionados e enviá-los numa única caixa.
Para dar início a este tipo de negócio de revenda, é essencial definir o público-alvo e selecionar produtos que correspondam às preferências desse público. Depois, basta organizar as caixas com base em temas específicos, enviando-as com a periodicidade que fizer sentido (semanal, mensal, trimestral, entre outras).
Dicas para ter sucesso como revendedor online
Gerir um negócio de revenda de sucesso exige mais do que encontrar produtos para vender. De seguida, encontram-se estratégias fundamentais para prosperar neste modelo.
- Considerar a margem de lucro
- Pedir amostras
- Usar fotografias de alta qualidade
- Construir confiança através da transparência
- Compreender a rotação de inventário
- Aproveitar a prova social
Considerar a margem de lucro
Definir o preço de produtos de revenda pode ser desafiante, especialmente no caso de artigos raros ou únicos. Utilizar uma ferramenta como a calculadora de margem de lucro da Shopify pode ajudar a definir os preços dos produtos, tendo em conta o valor pago pelo artigo, a margem desejada e outros custos como o envio e a aquisição de clientes.
Pedir amostras
Quando se trabalha com um fornecedor por grosso, solicitar amostras permite garantir que os artigos estão em boas condições e têm a qualidade esperada. Mesmo que não se fabriquem os produtos, a responsabilidade pela qualidade e pela gestão de devoluções continua a ser do revendedor.
Usar fotografias de alta qualidade
As fotografias são fundamentais em qualquer loja online, mas assumem particular importância para revendedores que vendem roupa usada ou vintage. As fotografias dos produtos, juntamente com as descrições, devem representar com precisão o estado real dos artigos. É essencial que os clientes compreendam eventuais imperfeições antes de efetuar uma compra.
Construir confiança através da transparência
Ao vender artigos em segunda mão ou vintage, a transparência é a base da fidelização. Descrever claramente qualquer desgaste, defeito ou característica particular nas fichas de produto é indispensável.
Considerar a criação de um sistema de classificação do estado dos artigos e aplicá-lo de forma consistente em todo o inventário é uma boa prática.
Compreender a rotação de inventário
Os revendedores de sucesso sabem que inventário parado tem custos. Acompanhar o tempo que os artigos demoram a vender e ajustar a estratégia de sourcing em conformidade é essencial.
Aplicar descontos a artigos que não tenham sido vendidos dentro de um determinado prazo ajuda a manter o inventário renovado e o fluxo de caixa saudável.
Aproveitar a prova social
Incentivar os clientes a deixar avaliações e destacá-las de forma visível no site reforça a credibilidade. Para artigos de valor elevado, incluir certificados de autenticidade ou informações detalhadas sobre a proveniência pode fazer a diferença.
Partilhar testemunhos de clientes e vídeos de unboxing nas redes sociais é uma estratégia eficaz para construir reputação.
Comece o seu negócio de revenda hoje
Agora que os passos para se tornar revendedor estão claros, considerar o início desta jornada é o passo seguinte. Como não é necessário investir em desenvolvimento de produto, inventário volumoso ou logística complexa de envio, este modelo de negócio representa uma forma de baixo risco para experimentar a operação de um negócio de e-commerce e ter um site próprio.
Perguntas frequentes sobre o negócio de revenda
Ser revendedor é rentável?
Um negócio de revenda pode ser muito rentável quando existe um bom conhecimento do público e dos produtos. Consoante o nicho escolhido, é possível adquirir bens em segunda mão e revendê-los com margens significativas.
De onde vêm os produtos dos revendedores?
Os revendedores podem abastecer-se junto de grossistas, liquidatários, lojas de segunda mão e até leilões locais.
Quanto custa começar a revender?
O custo pode ser surpreendentemente baixo: basta encontrar uma fonte de artigos em segunda mão ou com desconto e ter um site para os vender a um público interessado.
Ser revendedor é ilegal?
Não, desde que sejam cumpridas as leis fiscais locais e obtidos os alvarás obrigatórios. Assim que um artigo é adquirido, passa a ser propriedade do revendedor, que pode vendê-lo onde e a quem entender.

